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BELEZA

As cinco maiores mentiras que as pessoas contam sobre pelos femininos

Em pleno 2019, a questão da depilação nas mulheres ainda é motivo de polêmica, mas temos boas razões para convencê-la do contrário.

12 FEV 2019 - 07h:57Por Redação

Vem ano, vai ano, em algumas partes do mundo, e principalmente aqui no Brasil, o debate acerca dos pelos femininos está bem longe de acabar. É só pesquisar ou falar sobre o assunto nas redes sociais, que ele é rapidamente colocado como tabu, motivo de polêmica e tema capaz até de render uma série de informações equivocadas internet afora.

A verdade, entretanto, é que o ato de deixar ou não os pelos exatamente no local em que eles nascem deveria ser visto apenas como escolha pessoal, e não como sinônimo de desleixo, sujeira ou ausência de “feminilidade”.

Tanto para incentivar quem quer deixar os pelos crescerem naturalmente (mas tem medo de julgamentos), quanto para chacoalhar as ideias de quem insiste em se incomodar com as decisões alheias, nós do MdeMulher conversamos com uma especialista no assunto e duas jovens que tiraram a depilação de suas vidas e desconstruímos, a seguir, cinco mentiras sobre pelos femininos.

Pelos são sujos e se depilar é sinal de higiene

Camila Moulin, especialista em dermatologia pela Associação Médica Brasileira (AMB) e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica ao MdeMulher que as funções do cabelo (e, por consequência, dos pelos) no nosso corpo envolvem proteger a pele, regular a temperatura corporal e facilitar a evaporação da transpiração. Logo, pelos são uma proteção natural e eficaz do nosso corpo, e de maneira nenhuma devem ser relacionados com higiene – ou com a ausência dela.

“Existem pessoas depiladas que têm falta de higiene, e pessoas não depiladas que prezam por ela. O motivo para a extração dos pelos é, na maioria das vezes, estético, e raramente higiênico”, exemplifica Camila.

Dessa maneira, o tal ‘mau cheiro’ que muita gente relaciona com os pelos, seja em qual for a parte do corpo, pode ser provocado por diferentes fatores, entre eles: sudorese, estresse, má alimentação, desordens metabólicas e, claro, maus hábitos de limpeza pessoal.

A depilação é um fenômeno moderno

De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal online Nexo, em julho de 2017, o ato de se depilar não é um hábito moderno. Na verdade, desde o Egito Antigo pessoas – lê-se, homens e mulheres – removiam seus pelos, com auxílio de pedaços de tecidos ou pele de animais, embebidos em cera de abelha.

Já na Grécia Antiga, como mostram algumas esculturas da época, apenas mulheres eram depiladas, enquanto que as da Idade Média, tomando como recorte as europeias, não tinham essa preocupação de tirar os pelos das axilas, pernas ou da região do púbis. Camila conta que existem, inclusive, relatos antigos mostrando que a igreja católica era contra a remoção dos pelos femininos nesse período, pois eles eram relacionados à castidade.

Outros eventos também estão diretamente ligados à popularização da prática da depilação feminina ao longo dos anos, como a influência da publicidade, que tinha como objetivo impulsionar as vendas de cremes depilatórios e lâminas feitas para mulheres (na década de 30), a inserção da mulher no mercado de trabalho, a moda como ditadora de tendências e, também, a pornografia – responsável por colocar mulheres depiladas como objeto de desejo masculino.

Hoje em dia, apesar de haver certo preconceito com quem opta por não se depilar, já é possível notar algumas pequenas mudanças no meio publicitário, como o primeiro comercial de lâmina depilatória que mostra mulheres com pelos realizando a remoção, veiculado em julho do ano passado.

Apenas mulheres que não são “femininas” escolhem não se depilar 

Feminilidade e masculinidade são conceitos complexos e que, muitas vezes, acabam reduzidos, de maneira errada, ao que a gente escolhe vestir ou usar, no rosto ou no corpo. Dessa forma, ainda existe uma ideia equivocada de que, ao parar de se depilar, uma mulher é menos “feminina” do que uma outra que faça depilação regularmente.

A atriz Bruna Linzmeyer, que apareceu na capa da edição de janeiro passado da revista Marie Claire, levemente maquiada e com os pelos das axilas aparentes, é um bom exemplo de que essa teoria não faz muito sentido – essa, inclusive, não foi a primeira vez que Bruna fotografou de modo que seus pelinhos aparecessem (e nem a primeira vez em que foi duramente julgada por fazê-lo).

Madonna já surgiu com os pelos à mostra, Julia Roberts também. Amandla Stenberg, inclusive, usou um vestido preto incrível no tapete vermelho, sem se preocupar com o fato de não depilar as axilas.

E, bem, a verdade é que não existe uma regra a ser seguida. Aqui, estamos falando sobre liberdade de escolha e maior tolerância com o nosso corpo. A propósito, que tal começar a ser menos dura com os seus próprios pelos?

Quem não se depila quer ‘chamar atenção’ ou impor um padrão para outras pessoas

A estudante Isabela Nagy Iorio começou a se depilar por volta dos 13 anos (hoje ela está com 22), e parou com o hábito apenas no ano passado. Ela conta que uma de suas principais motivações foi o fato de comumente ouvir, de diferentes pessoas, que não se depilar era algo anti-higiênico. Além disso, Isa, sendo mulher, tinha um forte desejo de “aliviar” um pouco a pressão estética a qual nós estamos expostas diariamente, começando por si mesma:

“No começo senti uma certa vergonha [de não estar depilada], e tinha receio de que alguém fosse me provocar por isso, tanto que eu evitava levantar os braços, por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, senti que estava, aos poucos, me separando do que a sociedade espera em termos de padrões de beleza, e tenho certeza de que isso me fez gostar bem mais do meu corpo. Mulheres sofrem uma pressão social muito maior quando se trata de beleza, e as pessoas, mesmo outras mulheres, têm uma visão idealizada, chegando a um ponto em que coisas naturais, em nós, são consideradas ‘feias’, o que não acontece com o homem”, diz.

Já a também estudante Mayara Torres, de 25 anos, relata que começou a se depilar muito nova, antes dos doze anos de idade – para ela, na época, pelos eram motivo de vergonha. Tudo mudou há pouco mais de três anos, quando Mayara passou a se questionar e refletir sobre o quanto a depilação era imposta somente às mulheres, podendo ser algo invasivo ou até prejudicial para algumas delas:

“Comecei a reparar que tinha alergia à lâmina, todas as vezes que me depilava eu ficava com a perna cheia de bolinhas, coçando e ardendo. Não queria fazer depilação com cera, porque era caro e machucava muito, e o laser também é um método caro, e eu não tinha condições de pagar. Decidi parar por questões pessoais, por estar cansada de sempre me machucar quando precisava fazer depilação, e também por ideologia, por entender meu corpo dentro da sociedade”, fala Mayara, ao perceber, inclusive, que odores naturais (das axilas e da região da vagina), foram suavizados a partir do momento em que parou com a depilação.

Mesmo assim, para ela, aceitar os pelos naturais em seu corpo não foi tarefa das mais fáceis, mas sim um processo: “Muitas vezes eu tive que voltar para mim mesma e entender o porquê de tudo isso. Eu não fiz pra agradar ninguém, fiz por mim, por algo que acreditava e achava que era o melhor para a minha vida”, desabafa. E Isabela completa:

“Eu acho uma iniciativa muito legal parar de se depilar, e a experiência realmente fez com que enxergasse a mim e a outras mulheres com outros olhos. Mas também acho errado condenar pessoas que não seguem essa ideia por razões pessoais. Se você se acha mais bonita com as pernas, axilas ou qualquer parte do corpo depilada, ninguém deveria ter o poder de te impedir de fazer o que você quer”.

A depilação é 100% indicada para todas as mulheres

Não foi só a Mayara, que contou sobre sua experiência no item acima, que teve consequências negativas decorrentes da depilação. Na verdade, isso é bem comum, e Camila explica que, apesar das lâminas raramente causarem alergias, a irritação na pele muito tem a ver com o momento em que os pelos começam a crescer novamente.

“A foliculite só acontece quando há infecção na pele, com presença de bactérias ou vírus, principalmente nas mais oleosas. À medida em que o pelo vai nascendo, ele pode funcionar como um corpo estranho e encravar, o que causa a irritação”, aponta. Já os diferentes tipos de ceras depilatórias podem, sim, causar alergias graves, especialmente em pacientes já suscetíveis ao problema.

Para a doutora Camila, remover ou não os pelos deve ser uma decisão totalmente pessoal, e o mais importante disso tudo é a possibilidade de se sentir bem e confortável com as suas próprias escolhas. O que queremos dizer é que não, nem todo mundo vai conseguir se adaptar aos diferentes tipos de depilações disponíveis no mercado (e nem precisa!). Muitas vezes, essas pessoas preferem uma pele com pelos e livre de alergias a uma pele “lisinha” e cheia de problemas difíceis de tratar.

Em resumo, ninguém está tentando fazer com que você pare de se depilar (leu até aqui e ainda pensa assim? volte para o início), mas é válido colocar a mão na consciência e parar de julgar outras mulheres que optaram por isso. Foque em refletir sobre a importância que você tem dado para pelos femininos (os seus ou os de outras minas), e tente não se cobrar tanto para ter um corpo “perfeito”, “lisinho”, inatingível – porque isso não existe.

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