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“The Handmaid’s Tale”: motivos para não perder a série no Globoplay

A versão para a TV da distopia "Handmaid's Tale - O Conto da Aia", escrita por Margaret Atwood em 1985, terá episódio exibido na Globo.

13 FEV 2019 - 07h:30Por Redação

“The Handmaid’s Tale” ou, em português, “O Conto da Aia”, foi uma das grandes vencedoras do Emmy 2017. E com toda a justiça: a série, estrelada e produzida por Elisabeth Moss, trata de um tema muito atual e tem direção impecável e atuações de arrepiar. É imperdível! E agora está disponível no catálogo do Globoplay, serviço de streaming da Globo. Para lançar a novidade, a emissora exibe o primeiro episódio da série na terça (12), após o Jornal da Globo.

Imagine um país em que as mulheres vivem suas vidas normalmente e, de uma hora para a outra, têm seus direitos revogados. Não podem mais trabalhar, nem votar. O dinheiro que tinham é confiscado, assim como todos os bens que elas possuiam. Ler é proibido, também. Tudo o que elas têm – e elas mesmas – passam a ser propriedade dos homens.

Pesadelo? Pois esse é o cenário em que “O Conto da Aia“, ou, em inglês, “The Handmaid’s Tale”, se passa. Escrito em 1985, o livro de autoria da canadense Margaret Atwood fala sobre um futuro próximo – especula-se que seria 2005 – , e é especialmente apavorante porque tudo o que acontece no livro já aconteceu de fato em algum momento da história.

A adaptação do livro para a TV – na elogiadíssima série do serviço de streaming Hulu, estrelada por Elisabeth Moss – manteve essa “regra” de Atwood. Algumas coisas que acontecem na TV não fazem parte da trama original, mas tudo já aconteceu na vida real em algum momento e lugar – e, por isso, poderia acontecer novamente.

Em ensaio para o jornal “The New York Times”, Atwood fala sobre isso: “Tendo nascido em 1939 (…) eu sabia que a ordem estabelecida podia desaparecer da noite para o dia. Mudanças podem ser rápidas como um relâmpago. Não podemos confiar na impressão de que “Não vai acontecer aqui”: qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar, dadas as circunstâncias.

Pode ser difícil ter uma noção de impermanência em um país jovem como o Brasil, que aparentemente tem uma história linear e de avanços consecutivos. A Independência, a Abolição da Escravatura, a Proclamação da República, a consolidação da democracia, a Constituinte de 1988, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Todo esse progresso parece estabelecido e sem chance de regredir. Mas ao olhar a história do mundo, fica fácil perceber que tudo pode, sim, mudar de uma hora para a outra.

E é assim que as coisas acontecem em “O Conto da Aia”. Um dia, a personagem principal tem uma vida comum – estuda, trabalha, tem amigas, bebe e se diverte. No dia seguinte, tudo mudou, e ela não tem direito nenhum. Fugir do país é uma opção, e ela tenta escapar com o marido e a filha, mas é capturada. E quando é pega e separada da família, ela perde até o próprio nome, e passa a ser chamada de Offred.

Offred é identificada como uma mulher fértil – uma raridade nesse futuro em que poluição, radiação e venenos fizeram com que muitos homens e mulheres perdessem a capacidade de ter filhos. Por isso, ela tem algum valor dentro da República de Gilead, o novo país que se formou no lugar dos Estados Unidos. Se torna uma Aia – mulher cuja função é prover filhos para as esposas dos Comandantes do país.

Absurdo? Pois saiba que aqui do nosso lado, na Argentina, em 1976, durante a ditadura militar, cerca de 500 crianças e bebês “desapareceram” – na verdade foram sequestrados e colocados para adoção. Muitas das crianças foram encontradas depois de anos vivendo em famílias de militares. Até hoje, em 2017, as mães de bebês e crianças desaparecidos se reúnem para protestar na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, às quintas-feiras.  

As Aias são obrigadas a se vestir de vermelho, com sapatos e luvas que cobrem o corpo todo. Na cabeça, uma espécie de chapéu que esconde o rosto e não permite que elas enxerguem os arredores. Cada mulher, em Gilead, tem de se vestir de acordo com seu papel na sociedade. As Esposas usam azul, as Filhas vestem branco. As Tias, que cumprem o papel de educar e vigiar as Aias, vestem marrom. As Marthas, que são inférteis e fazem serviços domésticos, usam verde. As viúvas vestem preto, e as Econoesposas, que são da classe média, vestem roupas coloridas.  

Essa espécie de dresscode, uniformizando as pessoas de acordo com suas classes, também foi usada em diversos momentos da história. É fácil pensar logo nas burcas, niqabs e hijabs utilizados pelas muçulmanas, mas os véus são usados em outras religiões também. Outro exemplo cruel: durante o nazismo, nos campos de concentração, as pessoas eram divididas de acordo com o grupo de que faziam parte – homossexuais usavam um triângulo rosa na roupa; Testemunhas de Jeová, um triângulo roxo; Judeus, dois triângulos amarelos, um sobre o outro, formando a Estrela de Davi. Triângulo negro, lésbicas, e por aí vai.

Sobre a série The Handmaid’s Tale

O livro de Margaret Atwood foi adaptado pela TV por Bruce Miller, e lançado no serviço de streaming Hulu – similar à Netflix – em abril de 2017. Elisabeth Moss interpreta a personagem principal, Offred, e o elenco conta ainda com outros grandes nomes como Joseph Fiennes (Comandante Waterford), Alexis Bledel (Ofglen) e Samira Wiley (Moira).

A série, de 10 episódios, foi um sucesso de crítica e público e ganhou uma segunda temporada. A primeira está disponível no Brasil no serviço de streaming Globoplay.

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